O ano do azar da Zara

18 08 2011

Há alguns dias usei um ditado popular em um dos posts desse blog, mas ele cabe tanto à   atual situação, que não vejo problema em usá-lo novamente. “Por fora bela viola, por dentro pão bolorento” é a melhor expressão diante dos fatos que estão envolvendo a marca de roupas de grife Zara. O escândalo é grande, e o descaso maior ainda. Uma reportagem feita pela programa A liga, denunciou um esquema de escravidão que a marca utilizava para a confecção de suas peças. Os trabalhadores eram estrangeiros que chegavam no país em busca de oportunidades, e eram obrigados a trabalhar em ambientes precários, com salários desumanos a fim de gerar lucros para a empresa. O absurdo era tanto que uma calça jeans custava para a produção um valor de aproximadamente R$0,20 para cada “escravo”.

Além da falta de registro, os trabalhadores não tinham equipamentos adequados, viviam praticamente em cárcere privado, sem o mínimo de segurança e higiene. Eram mais de 14 horas diárias trabalhando como máquinas, para essa empresa aparecer na mídia como a marca do status. Agora me irritei, vou falar o que é ser chique e ter status de verdade. Estar na moda é usar a inteligência e o bom caráter para viver, é pensar no próximo e não se deixar corromper pelo dinheiro. É fazer o bem e criar tendências de personalidade humana e não de monstros sem coração. Tenho certeza de que a Zara depois dessa reportagem perdeu mais do que clientes, perdeu o respeito dos consumidores. Eu não tenho mais coragem de entrar numa dessas lojas e comprar uma camiseta, é questão de ética, sempre vou saber que pode ter sido feita por gente como os que aparecem na reportagem. Essa má conduta não tem desculpas, nem explicações, eu como cidadã não consigo colocar na cabeça que ainda possam existir pessoas que só pensam nelas mesmas, e não ligam para nada além das suas mansões, iates, viagens e jatinhos particulares. Não faço apologia a nenhum tipo de violência, mas é inevitável não desejar o mal para esse tipo de gente. Ah, esqueci, no Brasil, com dinheiro tudo se resolve não é? A única certeza que tenho é que essas lojas ainda ficarão abertas por motivos “políticos” junto com toda a corrupção. Pensar o que? Um país que elege bandido só poderia varrer o caso para debaixo do tapete. Não é só minha opinião, mas a opinião de milhões de pessoas: se ainda há justiça, espero que essa loja apodreça sem clientes nem  lucros para que gente dessa laia aprenda de uma vez por todas que “aqui se faz, aqui se paga”.


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