Se alguém me pedisse para escolher a trilha da minha vida em 2011, seria Tanto Mar, do grande Chico Buarque. A música descreve o quanto é preciso navegar, há muitas léguas que ainda separam meus sonhos da realidade, e eu preciso ter forças para não afogar e desistir desse azulão imenso da existência. Entre essas léguas, também se encaixam os amores, que mais uma vez não conseguiram chegar até a praia, pararam de respirar antes mesmo de tentar nadar. Mas no meio de tudo isso aprendi a ser mais forte, mais eu e mais altruísta. Nem tudo que eu quero é o que o outro quer, ou o que o destino quer. Passei a acreditar em vidas passadas e reencarnação, e que um dia talvez eu possa reencontrar essas pessoas que passaram e não permaneceram.
Falando sobre família, sempre percebi, desde quando comecei a entender a vida, que não fazia parte daquilo. Era e ainda é como se eu só precisasse deles para existir, nada mais, e acho isso uma grande evolução, porque me tornei independente, mas ainda estou tentando entender o que eu preciso aprender de verdade com essa evolução.
Penso que tive muita coragem, coragem para respirar, para fazer escolhas, para caminhar e até para errar. Decisões erradas passaram, nunca fiz mal a ninguém a não ser a mim mesma, e isso é muito bom, mostra que sou uma pessoa de bem, embora fechada dentro dos meus pensamentos.
Todo mundo fala de ano novo, vida nova, não vejo isso, vejo só mais uma oportunidade, um começo do mesmo, pra fazer tudo certo agora. Mudanças: gostaria de mudar minha percepção sobre as pessoas e não ter tanto medo de me entregar a uma amizade. É ainda difícil acreditar que nenhum mal possa acontecer, aí me reservo, mas estou tentando. E é isso. O que eu quero de mim mesma é coragem, coragem para não ficar pra trás e alcançar o que eu mais desejo: a felicidade.
Van Zimerer
